sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ecocongestionamentos e o Bolsa Trânsito das montadoras

No primeiro evento público da indústria automotiva após a reeleição de Dilma Rousseff (PT) na Presidência da República, os presidentes das principais montadoras fizeram cobranças públicas para que o governo federal mantenha as taxas de descontos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor em 2015, e ainda tome novas medidas para incentivar mais o consumo de carros. Entre as propostas defendidas para tentar manter em alta a produção e comercialização está a concessão de créditos para aquisição de veículos novos. As declarações foram feitas durante coletivas de imprensa na apresentação de lançamentos no Salão do Automóvel, aberto para o público a partir desta quarta-feira, dia 30.

Em meio a congestionamentos cada vez mais intensos, o pacote de benefícios defendido pelas montadoras têm recebido críticas em redes sociais e já foi chamado até de Bolsa Trânsito. O impacto no meio ambiente urbano do aumento da frota preocupa em um contexto de piora da qualidade do ar nas metrópoles brasileiras.

Tempo seco e emissões constantes têm tornado o ar de São Paulo irrespirável.

Em São Paulo, de acordo com o recém-divulgado Relatório de Emissões Veiculares de 2013, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o padrão estadual de qualidade do ar para ozônio foi ultrapassado em 13 dias em 2013 e, mesmo com inovações tecnológicas e renovação da frota, as emissões seguem altas. Entre os principais problemas, está a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), que tem aumentado de forma sistemática. "Ainda que os fatores de emissão dos veículos novos estejam decrescendo, o aumento da frota de veículos e os congestionamentos das vias comprometem os ganhos obtidos com os avanços tecnológicos", diz o documento.

Não é a primeira vez que os empresários se articulam para prolongar descontos de impostos. Em junho, os representantes do setor pressionaram e conseguiram adiar para o fim do ano o aumento gradual de taxas de IPI, inicialmente previsto para 1º de julho. A discussão é complexa porque, fazem parte da política de redução de IPI condicionantes para modernizar a produção de modo a melhorar a eficiência energética dos novos veículos, o que ajuda a reduzir a poluição (clique aqui para ler todas as leis e decretos que regulamentam o desconto de IPI).

"Pacote de bondades"

Para a engenheira Carmen Silvia Câmara Araújo, diretora administrativa do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), o governo deveria considerar alternativas em vez de ampliar benefícios para as montadoras. "No lugar de um novo pacote de bondades para o setor, seria interessante pensar em alguma política de incentivo ao transporte público, por exemplo, algo para melhorar a mobilidade. Mesmo se for para pensar na questão econômica é possível seguir essa linha. As montadoras fazem ônibus, não fazem?", questiona.

Ela participou das discussões que resultaram no Inovar-Auto, como é chamado o programa que condiciona redução de IPI a inovações tecnológicas, e apesar de ser crítica à ampliação de benefícios para montadoras, destaca a importância das condicionantes de inovação tecnológica já adotadas. O aumento da eficiência dos motores novos foi o que garantiu que as emissões não disparassem no mesmo ritmo do aumento da frota. O relatório da Cetesb aponta o quanto a frota circulante aumentou em São Paulo, e indica que, se o número de emissões não aumentou por um lado (com exceção das emissões de Gases de Efeito Estufa, que dispararam), por outro motos e automóveis ainda têm papel preponderante na emissão de alguns poluentes, conforme é possível observar nos gráficos abaixo.

Tabelas do Relatório de Emissões Veiculares da Cetesb (clique na imagem para ampliar)

Ecocongestionamentos

A compra e venda de automóveis não é vista necessariamente como um problema. "O fato de uma pessoa comprar um carro não quer dizer que ela vai usar todo dia. Ela pode deixar o automóvel na garagem e continuar usando o transporte coletivo", lembra Carmen. O Iema realizou em setembro o Seminário Internacional de Desestímulo ao Uso do Automóvel e tem investido no debate sobre mobilidade urbana. Hoje, quem cuida do tema na organização é Renato Boareto, ex-diretor de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades e defensor de que, mais do que pensar em reduzir as emissões com avanços tecnológicos, é preciso uma mudança no atual padrão de mobilidade, priorizando o transporte coletivo.

frotanacionalTabela do Inventário Nacional de Emissões organizado pelo IemaAssim como em São Paulo, a frota tem crescido significativamente em outras cidades, conforme o Inventário Nacional de Emissões organizado pelo Iema. "Ter um carro para viajar, para usar no final de semana não é problema nenhum. O crescimento da frota ocorre em todos os países que passaram por um crescimento de renda, isso é inevitável. Mas uma cidade não pode ser pensada para recepcionar essa frota crescente e proporcionar condições para que todos circulem ao mesmo tempo. O foco tem que ser no transporte que garante o deslocamento de um número maior de pessoas. É fundamental pensar em incentivos ao transporte público e não motorizado", defende, citando a implementação de corredores exclusivos de ônibus e restrições a estacionamento privado em espaços públicos como exemplos de medidas necessárias.

"É óbvio que produzir veículos mais limpos é importante, mas se o governo federal tem condições de alocar mais recursos públicos, que seja para investir em transporte público mais limpo", completa, lembrando que um ônibus usa menos energia para transportar pessoas do que veículos individuais. "Mesmo com o desenvolvimento de carros mais limpos, mesmo se tivermos carros hibridos e elétricos, ainda assim teremos problemas se não houver mudanças no padrão de mobilidade. Brevemente estaremos no que chamamos de ecocongestionamento, um trânsito igualmente parado, só que com carros mais limpos", afirma. "E aí cabem outros questionamentos. De onde vai vir a energia elétrica para abastecer esse congestionamento? E se for de uma termoelétrica? O transporte público é mais eficiente no uso de energia e todos ganham", afirma.

secoesujoTermômetro com propaganda do Salão do Automóvel indica que a qualidade do ar não é boa em São Paulo nesta quarta-feira, dia 30. Foto: Daniel SantiniAr sujo
Em linhas gerais, o monitoramento da qualidade do ar nas principais metrópoles do país ainda é deficiente, o que dificulta o monitoramento dos índices. Em São Paulo, a falta de chuvas na capital e o tempo seco tem agravado a poluição, e nas últimas semanas os termômetros da capital monitoram a qualidade do ar têm apresentado índices alarmantes. O ar sujo afeta principalmente crianças e idosos. "Nesses períodos de mais secura do ar os atendimentos por urgência aumentam significativamente", explica o pneumologista pediátrico Luiz Vicente Ribeiro Ferreira da Silva Filho o Instituto da Criança do Hospital das Clínicas. "A exposição a poluentes interfere significativamente na saúde das crianças".

Questionado sobre o pedido por parte das montadoras de mais investimentos para a produção e venda de automóveis, ele lembra que a questão é complexa. "A conjuntura precisa ser vista como um todo e o tema envolve outras questões. Se por um lado o aumento da frota é ruim para o ambiente, por outro lado pode ter um impacto na economia importante, é preciso considerar isso na análise", afirma.


"É lógico que com mais carros na rua, mais poluição. Em termos de saúde, seria melhor o transporte público, medidas para que a gente tenha menos veículos na rua, medidas que estimulem uso da bicicleta e caminhadas contra medidas que estimulem a venda e aumento da frota particular".

Fonte: O Eco

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Economia verde requer mudança no consumidor, avaliam líderes do 3GF

A construção de uma economia verde só será possível quando houver mudança no modelo de produção adotado pela maioria das nações e no comportamento do consumidor de classe média. Essa foi a conclusão tirada da quarta edição do Fórum Global de Crescimento Sustentável (3GF), que reuniu cerca de 300 líderes de seis países na segunda e terça-feira (21), em Copenhague, na Dinamarca.

No último dia de evento, a primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning Schmidt, disse que “a construção de economias verdes não é uma tarefa fácil, e que as nações precisam trabalhar juntas”. Garantir essa conexão, disse ela, é o que o fórum buscou fazer.

Governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento, empresários, instituições financeiras e organizações da sociedade civil se debruçaram sobre os principais desafios para a construção de uma economia verde. Copenhague, a cidade mais sustentável do mundo, serviu de inspiração para dois dias de debates, plenárias, rodadas de conversa e negociação, que resultaram em onze parcerias a serem aplicadas em diversas partes do mundo.

Na última plenária do evento, houve consenso de que o modelo econômico atual, centrado na produtividade a todo custo, precisa ser mudado. O ex-presidente do México e atual chefe da Comissão Global de Economia e Clima, Felipe Calderón, disse que quatro medidas precisam ser adotadas com urgência pelas nações: a redução na emissão de gases de efeito estufa, a busca de eficiência energética na indústria, o controle da urbanização e a proteção dos recursos naturais. “Não é uma alternativa, é algo que precisa ser feito imediatamente”, disse. A boa notícia, segundo ele, é que é possível garantir crescimento econômico e, ao mesmo tempo, frear as mudanças climáticas, mas “para isso, grandes mudanças precisam ser feitas”.

O comportamento do consumidor, especialmente o de classe média, foi alvo de preocupação no fórum. A ministra de Meio Ambiente do Quênia, Alice Kaudia, enfatizou que o crescimento da classe média e o aumento do consumo são tendências preocupantes. Ela disse que, “se o comportamento das pessoas não mudar, se elas não começarem a pensar em reaproveitamento, em uso racional e em reciclagem, em pouco tempo não vai haver recursos suficientes para todos”. O presidente do Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, Peter Bakker, ressaltou que, se quiserem garantir um mundo melhor para as futuras gerações, as pessoas terão que reconsiderar alguns hábitos comuns. “Ter um carro é mesmo a melhor opção? Ou dividir um carro é um modelo melhor? Os conceitos de propriedade, de compartilhamento, de viver bem, de felicidade, todos terão que ser reconsiderados”, ressaltou.



Criado em 2011, o Fórum Global de Crescimento Sustentável conta com a parceria de seis governos: Dinamarca, China, México, Etiópia, Quênia e Catar. Grandes empresas multinacionais, como Hyundai, Samsung e Siemens também são parceiras, além de organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla em inglês), o Pacto Global das Nações Unidas e a Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial (IFC, da sigla em inglês).


Com o encerramento do fórum, as atenções se voltam para o Conselho da União Europeia, que deve aprovar, na próxima quinta-feira (23), um pacote de medidas sobre clima e energia para os próximos 15 anos, com amplos efeitos sobre os governos dos 28 países-membros e sobre a indústria. Entre as metas estão a redução em 40% na emissão de gases de efeito estufa e o aumento da eficiência energética das empresas em no mínimo 30%. 

Fonte: Agência Brasil

domingo, 19 de outubro de 2014

Brasil é o 9º país mais atraente em energia renovável

O Brasil é o nono país mais atrativo para investimentos em energia renovável, é o que indica a nova edição do Renewable Energy Country Attractiveness Index, ranking da EY (nova marca da Ernst & Young) que analisa o mercado de fontes limpas em 40 países. Depois de subir ao top 10 pela primeira vez na última edição do levantamento trimestral, o Brasil conquista mais uma colocação.

China é a primeira colocada do ranking, seguida por Estados Unidos, Alemanha e Japão. Atualmente, o Brasil é o segundo colocado em atratividade hidrelétrica (principal matriz energética nacional), quarto em potencial para biomassa, sexto para energia eólica em terra e nono para energia solar.


Mário Lima, diretor de consultoria em sustentabilidade da EY, acredita que o governo brasileiro teve que mudar sua estratégia em relação à energia solar após a crise enfrentada com a geração hídrica, em razão da seca que castiga a região Sudeste há mais de dois anos. Os dois leilões de energia previstos para este ano ajudaram o Brasil a galgar a nona posição no ranking.

Em junho, o Brasil foi o primeiro país a sediar um jogo de Copa do Mundo alimentado exclusivamente por energia solar, no Mineirão. A expectativa, segundo análise da EY, é que o potencial da energia solar no Brasil, com incentivos governamentais, atraia mais investimento no setor. Em outubro será realizado o primeiro leilão exclusivo de energia solar, com expectativa de viabilizar até 10 GW de energia.

Segundo Lima, ainda é difícil investir no Brasil, pois existem barreiras burocráticas e imprevisibilidade na regulamentação. Apesar disso, empreendedores devem instalar usinas solares em parques eólicos existentes, para reduzir custos operacionais. “A tendência é que com os investimentos feitos pelo governo, o preço da energia solar caia pela metade em quatro ou cinco anos”, afirma. Lima ressalta que por permitir uma instalação mais rápida, a energia solar passou a ser vista como principal alternativa no Brasil.

A exigência elevada em porcentagem de conteúdo local para a concessão de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é um grande obstáculo para o desenvolvimento da energia eólica. Esse e outros gargalos logísticos terão que ser resolvidos para acomodar a geração de 22.4GW esperadas até 2023, visto que atualmente o país dispõe de apenas 3.5GW de capacidade instalada.

Seguem os 20 primeiros colocados do ranking:

1. China

2. Estados Unidos

3. Alemanha

4. Japão

5. Canadá

6. Índia

7. Reino Unido

8. França

9. Brasil

10. Austrália

11. Coreia do Sul

12. Chile

13. Holanda

14. Bélgica

15. Itália

16. África do Sul

17. Dinamarca

18. Portugal

19. Turquia


20. Tailândia

Fonte: Ciclo Vivo

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Parceria: Refúgio Três Picos

O CECNA conta com a parceria do Refúgio Três Picos, que possui uma ótima estrutura para receber montanhistas e caminhantes da região e na qual funciona também a sede do Núcleo de Atividades Ambientais CECNA – Três Picos. Veja abaixo um relato, retirado do site www.trekkingbrasil.com, de um grupo de caminhantes que foi conhecer Três Picos e se hospedou no Refúgio.
Mapa de acesso ao Núcleo. Clique nele para ampliar. Se ainda estiver pequeno, baixe em formato PDF ou PNG 

Para se hospedar no Refúgio entre em contato pelo telefone: (22) 99836-7555 ou pelo email: jasmattos@hotmail.com. Visite também a página no Facebook: www.facebook.com/RefugioTresPicos


Três Picos – Nova Friburgo

Por Mario Nery

Três Picos é uma formação de montanhas localizada na região de Salinas, em Nova Friburgo – RJ. O local abriga um parque estadual, batizado de “Parque Estadual dos Três Picos” ou “PETP” como iremos nos referir a ele aqui neste texto.

É bom avisar uma coisa: você vai se apaixonar pelo lugar! Três Picos oferece inúmeras oportunidades de escaladas e trilhas. Além disso, é possível acampar no PETP ou mesmo ficar em algum dos refúgios que alugam espaços. Ficamos hospedados no Refúgio Três Picos (ou refúgio do Zezinho), uma casa de alvenaria com dois andares e espaço para umas 15/20 pessoas. Nosso grupo tinha 10 pessoas e não tivemos problemas com o espaço, o refúgio conta com camas e beliches no segundo andar, já no térreo ficam um banheiro com água quente e outro com água fria, uma cozinha básica com fogão, geladeira, mesa grande e pia – além de um fogão a lenha, sala, mais dois quartos (de casal) e a lareira.

Uma característica legal do refúgio do Zezinho, e que acontece também em outros pontos da região, é que ele produz uma ótima cerveja artesanal Pale Ale! Tivemos a oportunidade de experimentar uma e gostamos bastante. A produção do Zezinho ainda é pequena, porém você tem a opção de experimentar a Cerveja Artesanal Três Picos, feita no Refúgio das Águas pelo montanhista Sérgio Tartari – altamente recomendada, lá você vai encontrar um número maior de tipos de cerveja (quando fomos: Pale Ale, Red Ale, Weiss e Stout) além de uma pizza feita no forno à lenha.

Bem vamos voltar pro relato esportivo da trip e deixar o relato etílico de lado. A nossa programação estava separada em dois dias, seriam duas trilhas dentro do PETP: Cabeça do Dragão e a Caixa de Fósforo (essa última recomendada por alguns amigos).

Nestes dias eu fiquei em companhia de um grupo que sempre anda junto por aí, além de alguns novos amigos. O grupo era: Elias Maio, Fábio Fliess, Letícia Fliess, Luan Gesteira, Rafael Guerra, Lidiane Araújo, Renan Cavichi, Jeff Almeida e uma importação mineira, Gisele Halfeld (más línguas dizem que a contribuição dela com pães de queijo feitos na hora foi substancial...rsrsrs).

Galera em frente ao refúgio do Zezinho (ele está de blusa clara e bermuda ao lado da pilastra). Foto: Elias Maio.

Brincadeiras a parte – e não foram poucas – a sintonia do grupo funcionou muito bem como sempre. Chegamos na noite de sexta após nos encontrarmos na estrada com o Renan e o Jeff que estavam vindo de Caraguatatuba (SP). Uma parada estratégica no mercado para abastecermos os carros com comida, outra parada no restaurante da Linguiça do Padre pra comprarmos alguns petiscos, mais um pouco de estrada e logo depois estávamos estacionando os carros no refúgio do Zezinho. A boa da noite foi o mestre cuca Renan Cavichi fazendo um arroz de carreteiro pro jantar, momento raro sem diálogos no refúgio, só ouvíamos os talheres e os “hummmmmmm”. É, quando temos oportunidade nós comemos bem!

Três coisas não faltaram nesta trip: comida, cerveja e bom humor – ponto comum quando esse pessoal anda junto e tem alguma estrutura no lugar. Todos felizes com o jantar, hora de separar o material da mochila de ataque e dormir, no dia seguinte a programação era a trilha do Cabeça de Dragão com visita ao Refúgio do Sérgio Tartari no final do dia.

Buenas noches! E quem for dormir por último apaga a luz por favor!

Dia 01 – Trilha até o Cabeça do Dragão – PETP

Destaques: vista do alto da Cabeça do Dragão

Nível: semi pesado a pesado – trechos com subidas bem inclinadas e com exposição ao sol – principalmente o trecho entre o camping do parque e o cume da Cabeça do Dragão.

Dica: leve água, só existe água perto da área de camping, depois deste ponto (onde começa o toca pra cima) não tem fontes de água.

Imagem do Google Earth mostrando o tracklog da trilha do Cabeça do Dragão desde o Refúgio Três Picos até o cume.

A trilha não começa próximo do abrigo onde estávamos, então pegamos os carros e fomos até uma casa que serve de estacionamento e que fica próxima da estradinha que dá acesso ao Abrigo do Mascarin – o último abrigo antes da entrada do parque (a entrada fica ao lado do abrigo) – após este ponto a única opção é acampar no espaço do PETP, que fica bem perto da base do Capacete (montanha arredondada ao lado dos Três Picos), mas é um camping bem simples e rústico, com uma pia, um ou dois banheiros e chuveiros com água fria. A estrada acaba na porteira ao lado do Mascarin, deste ponto em diante o acesso para carros é proibido, e para chegar até o Mascarin a estradinha nem sempre está em bom estado, por isso não arriscamos a subida e deixamos os carros lá embaixo. Por acaso a estrada estava melhor do que o normal, mas mesmo assim um ou dois trechos iriam exigir mais habilidade do motorista para vencer os buracos, bem como um carro que suporte isso. Então na dúvida deixe o carro no estacionamento debaixo e suba até o Mascarin a pé.

Ao lado desta porteira do Mascarin fica a porteira que dá entrada no parque, daqui pra frente só a pé.

A área é conhecida como Vale dos Deuses, a explicação é simples, basta olhar em volta. A vista das montanhas é incrível.

Logo depois da porteira o caminho segue até chegar em outra porteira, que é parte de uma propriedade particular que serve de acesso aos Três Picos e demais pontos do local. Fizemos uma parada rápida para fotos com a vista dos Três Picos e as grandes araucárias do pasto e depois seguimos subindo. O caminho é bem marcado, na verdade é uma estradinha em alguns pontos. O caminho segue com o conjunto dos Três Picos/Capacete do seu lado esquerdo sempre.

Na trilha pouco depois da região do pasto – Foto: Renan Cavichi

Após algum tempo você chega na sede de montanhismo do parque, uma casinha que fica bem aos pés do Capacete, seguindo a trilha logo após este ponto você chegará a uma bifurcação (em frente ou para direita) a trilha do Cabeça de Dragão continua para direita – existe uma placa de madeira indicando a direção. Logo após entrar nesta bifurcação você encontra a área de camping do Parque Estadual dos Três Picos. A trilha para o Cabeça de Dragão segue atrás da casinha que fica na área de camping, atrás da casa, a direita dela.

Área de camping do Parque. Foto: Renan Cavichi

Agora é hora do toca pra cima começar, daqui em diante é subir e subir e subir mais um pouco. O Cabeça de Dragão tem 2082m de altitude. A trilha segue pela mata, bem definida e bem inclinada também, até chegar em uma região de lages de pedra sem vegetação alta, aqui você terá belas vistas dos Três Picos e Capacete, além de muito sol na cabeça – e será assim até o cume.

Vista dos Três Picos da lage de pedra da trilha da Cabeça do Dragão

Deste ponto em diante basta seguir pela crista subindo os trechos de rocha, alguns pontos da crista tem uma leve exposição – nada realmente perigoso, mas que vale ser citado por que pode incomodar os menos acostumados. A vista do cume é linda e recompensa o esforço feito na crista, como vocês podem ver nas fotos abaixo.

Subindo a crista da Cabeça do Dragão. Foto: Fabio Fliess

Panorâmica da vista do cume da Cabeça do Dragão

A volta acontece pelo mesmo caminho que foi usado na subida.

Fim da nossa programação de sábado, pelo menos da parte outdoor da programação. Agora era voltar, comer alguma coisa e se preparar para ir até o refúgio do Sérgio Tartari para experimentarmos a famosa Cerveja Artesanal Três Picos. Mas antes disso a rapaziada resolveu lagartear um pouco pelo refúgio do Zezinho, beber umas cervas e relaxar depois da trilha, tudo com acompanhamento do Luan no violão, com a galera cantando Pearl Jam, bebendo uma cervejinha e petiscando a famosa Linguiça do Padre com limão.

Roda de violão com o Luan tocando e a galera aproveitando pra relaxar com petiscos e cerveja.

Ok, vencida a preguiça, fomos até o Refúgio da Águas do Sérgio Tartari para experimentarmos a tão falada “Cerveja Artesanal Três Picos”, afinal de contas além de montanha e fotografia essa galera também gosta de uma boa cerveja.

Um brinde com o criador da cerveja é sempre especial, com Sérgio Tartari. Foto: Elias Maio

E a Pale Ale e a Weiss produzida com a água de Três Picos foi aprovada pelo pessoal e muitos levaram algumas garrafas pra casa. Bem como a Red Ale e a Stout degustadas em outras oportunidades. É possível se hospedar no refúgio e aproveitar as noites com pizza e cerveja artesanal gelada. Uma boa dica para quem busca um local mais tranquilo e com um astral de montanha.

Voltamos para onde estávamos hospedados e fomos ao jantar. Tivemos mais um jantar top de linha do Chef Renan, desta vez lentilhada – tinha lentilha pra um batalhão inteiro – mas nossa pequena unidade de montanhistas esfomeados fez um bom estrago nas provisões no jantar...rsrs

Arroz de Carreteiro, essa foi uma foto da primeira noite, um dos raros momentos onde o silêncio imperava neste refúgio. Foto: Elias Maio

Uma noite em frente da lareira do abrigo, com violão, algumas bebidas e muitas risadas… Então chegou a hora de cairmos nas camas e nos preparar para acordar cedo no domingo para a trilha até a Caixa de Fósforo.

Dia 02 – Chuva e nada de trilha…

Pra nossa falta de sorte o dia seguinte amanheceu com muita neblina, céu fechado e sinais de chuva durante a noite. Resumindo, nossa ida até a Caixa de Fósforo virou cinzas de vez quando a chuva caiu de manhã… Nos restou ficar mais um tempo batendo papo, curtindo o clima e a névoa que baixou no quintal.

Com certeza voltaremos até Três Picos para aproveitar algumas outras trilhas!

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Mario Nery é trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking

Fonte: www.trekkingbrasil.com