segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O que é biodiversidade?

Em 2011, um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) estimou que o total de espécies na Terra é de 8,7 milhões, com uma margem de erro de mais ou menos 1,3 milhões. Cerca de 6,5 milhões destas espécies são encontradas na terra e 2,2 milhões nos oceanos. O relatório também mostrou que 86% de todas as espécies terrestres e 91% das marinhas ainda não foram descobertas, descritas ou catalogadas. Este censo é o mais recente e seria o cálculo mais preciso já oferecido. Este é o atual panorama da biodiversidade.


Biodiversidade ou diversidade biológica é o grau de variação de vida. O termo pode ser entendido de várias formas, já que descreve ao mesmo tempo a variedade e a riqueza de todas as espécies (diversidade de espécies), a variedade dos genes contidos dentro de cada indivíduo de tais espécies (diversidade genética) e também a variedade de ecossistemas dentro de uma área, bioma ou do próprio planeta (diversidade de ecossistemas).

A expressão "diversidade biológica" começou a ser usada no início dos anos 80, graças à publicações que discutiam as implicações do crescimento populacional e econômico irrestritos sobre o meio ambiente. A origem específica da palavra "biodiversidade", uma contração de "diversidade biológica", é comumente atribuída ao botânico estaduniense Walter G. Rosen, durante seu planejamento para o "Fórum Nacional sobre a Biodiversidade", ocorrido no final de 1985. Os trabalhos do fórum foram publicados três anos mais tarde pelo acadêmico E. O. Wilson no livro "Biodiversidade", o que acabou por popularizar o termo.

Sua importância está no fato de que é ela que sustenta o funcionamento dos ecossistemas e dos serviços ambientais que eles prestam. A perda de biodiversidade tem aumentado de forma alarmante (cerca de 8.700 espécies desaparecem por ano) e esta perda ameaça o fornecimento de bens e serviços dos quais a humanidade depende para a sua própria sobrevivência, uma vez que não só a economia mundial, mas também as necessidades básicas dos povos, dependem de recursos biológicos.

As principais ameaças à biodiversidade global são a destruição de habitats, a introdução de espécies exóticas e espécies invasoras, a poluição genética (técnicas de hibridização para aumentar o rendimento da agricultura e da pecuária; cultivos transgênicos), a exploração insustentável de recursos naturais (caça excessiva, desmatamento excessivo, má conservação do solo na agricultura e o comércio ilegal de animais silvestres), as mudanças climáticas (efeito estufa e aquecimento global) e a superpopulação humana.

Diante deste quadro, com vistas a atrair atenção ao tema e promover ações de conservação, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou os anos de 2011 a 2020, como a Década da Biodiversidade.

Outra característica da biodiversidade: ela não é distribuída uniformemente pelo planeta. Ela depende de fatores como a temperatura, precipitação, altitude, solos, geografia, presença de outras espécies e história evolutiva. Existem regiões do globo onde há mais espécies que em outras e estas regiões estão concentradas nos trópicos. Como a disponibilidade energética (energia solar) é maior no equador que nos pólos, quanto maior a latitude, menor é o número de espécies. Essa regra, no entanto, só se aplica à biodiversidade terrestre visto que o mesmo não se verifica nos ecossistemas aquáticos. Ainda há muito a se aprender sobre esses ecossistemas, especialmente os marítimos.

Hot spots

Um ponto crítico ou hotspot ('ponto quente', em inglês) de biodiversidade é uma região com um importante reservatório de biodiversidade (alta incidência de espécies endêmicas), que está sob ameaça dos impactos ambientais causados pela ação humana. A maioria deles se localiza nos trópicos.

Hotspots são um método para identificar as regiões do mundo onde é preciso atenção para lidar com a perda de biodiversidade e para orientar os investimentos em conservação. O conceito, criado pelo ambientalista inglês Norman Myers em 1988, foi adotado pela organização Conservação Internacional (CI) como um projeto institucional. A partir de 1989, a CI passou a conceder de subsídios para organizações não-governamentais e do setor privado comprometidas a ajudar a proteger hotspots de biodiversidade.

Hoje são reconhecidos 35 hotspots de biodiversidade. Estas áreas já perderam pelo menos 70% de sua cobertura vegetal original. Neles estão abrangidos um número elevado de espécies endêmicas, embora sua área total corresponda a apenas 2,3% da superfície do planeta. Mais de 50% das espécies de plantas do mundo e 42% de todas as espécies de vertebrados terrestres são endêmicas destes hotspots que incluem locais como o Himalaia e o Caribe, as regiões do Cerrado e da Mata Atlântica no Brasil, Madagascar, na África e as montanhas do Cáucaso, na Eurasia.


Para se qualificar como um hotspot de biodiversidade, a região deve atender a dois critérios: deve ter pelo menos 1.500 plantas vasculares endêmicas, isto é, uma alta porcentagem de plantas não encontradas outros lugares do planeta. E deve ter 30% ou menos de sua vegetação natural original. Em outras palavras, deve ser considerada ameaçada.

Fonte: O Eco

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Seiscentas mil pessoas marcham no mundo contra as mudanças climáticas

Seiscentas mil pessoas se mobilizaram neste domingo (21) em várias cidades do mundo contra as mudanças climáticas, entre elas Nova York, onde uma passeata histórica reuniu 310 mil manifestantes, segundo os organizadores, a dois dias da reunião de cúpula da ONU sobre o tema.

Ao som de bandas e exibindo flores gigantes, astros de Hollywood, políticos, ativistas e estudantes participaram na cidade americana da Marcha do Povo pelo Clima, que se tornou a maior da História, afirmou a organização.


“Esta marcha marca uma pauta histórica. Para nós, serve para que os governantes entendam que há um povo afetado, organizado e mobilizado em nível mundial. Eles têm que nos ouvir!”, disse à AFP o peruano Juan Pedro Chang, 57.

Trezentas e dez mil pessoas foram às ruas em Nova York, segundo o site peoplesclimate.org, que concentrou as 1.572 organizações que convocaram a passeata. A polícia não divulgou números.

No total, 2.808 eventos aconteceram em 166 países, entre eles mobilizações simultâneas organizadas em Londres, Paris, Berlim, Rio de Janeiro, Istambul e Bogotá, reunindo uma cifra de 580 mil manifestantes, entre eles os de Nova York, segundo os organizadores.

Os protestos aconteceram dois dias antes da reunião de cúpula do clima em Nova York, convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, que terá a participação de mais de 120 chefes de Estado.

Um Leonardo Di Caprio de barba espessa, óculos de sol e boina foi o astro do protesto em Manhattan, do qual também participaram o ex-vice-presidente americano Al Gore, Ban Ki-Moon e o prefeito de Nova York, Bill de Blasio.

“Espero que esta voz seja realmente considerada pelos líderes na reunião de 23 de setembro”, disse Ban. “Não há plano B, porque não temos um planeta B. Temos que trabalhar e colocar em prática.”

Puxada por faixas que diziam “Marcha do Clima do Povo” e “Linha de frente da crise e vanguarda da mudança”, a mobilização começou no Central Park e seguiu até os arredores do rio Hudson, no oeste da ilha.

“Participo da marcha porque quero construir um futuro mais belo para a minha família”, disse o minerador aposentado Stanley Sturgill, 69, do Kentucky, que sofre com problemas pulmonares depois de ter passado mais de 40 anos trabalhando na exploração de carvão.

Na Times Square, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio, com o punho erguido.

“Acabamos com nossa água e nossa saúde, e nossa economia está em declínio. As mudanças climáticas são algo real. Sei que não precisamos destruir nosso planeta, e que podemos mudar as coisas”, assinalou Sturgill, um dos oradores, na entrevista coletiva que antecedeu a mobilização.

Para Juan Pedro Chang, de uma delegação de 30 peruanos, as mudanças climáticas “afetam tudo, agricultura, saúde, alimentação e emprego. Por isso, tudo tem que ser mudado.”

Dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Londres, entre elas vítimas das inundações na Inglaterra no último inverno, bem como a atriz britânica Emma Thompson, que retornou de uma expedição no Ártico com o Greenpeace para denunciar o derretimento das geleiras.

Em um ambiente familiar, cerca de 5 mil pessoas manifestaram-se em Paris, segundo a polícia. “Antes, podíamos dizer que não sabíamos. Agora, sabemos que as mudanças começaram”, disse o enviado especial do presidente francês para a proteção do planeta, Nicolas Hulot.

Em Madri, centenas de manifestantes reuniram-se diante do Ministério do Meio Ambiente exibindo cartazes com as mensagens “Não há planeta B”, “Mude a sua vida, não o seu clima” e “Nosso clima é sua decisão”.

Em Cairns, Austrália, onde ministros das Finanças do G20 se reuniam, mais de 100 pessoas usaram corações de papel verdes ao redor do pescoço.

Outras centenas de pessoas se mobilizaram em Sydney e Nova Délhi, onde 300 manifestantes exibiram cartazes com mensagens como “Quero salvar as florestas” e “O carvão mata”, enquanto cantavam palavras de ordem e dançavam ao som de tambores.

Em Bogotá, participaram 5 mil pessoas, várias de bicicleta e outras tocando instrumentos musicais fabricados com materiais reciclados.

No Rio de Janeiro, um dos organizadores, Michael Mohallem, disse ao jornal “O Globo” que mais de 4 mil pessoas participaram da passeata, que aconteceu na Praia de Ipanema, debaixo de chuva. A cifra difere dos 300 manifestantes divulgados pela “Folha de S.Paulo”, que citou a Polícia Militar.

A ONU quer limitar o aquecimento global a dois graus centígrados em relação à época pré-industrial. Mas cientistas afirmam que, devido aos níveis de emissão de gases do efeito estufa, as temperaturas terão aumentado no fim do século XXI mais de quatro graus em relação àquela época.


A reunião da ONU, que acontecerá na véspera da abertura de sua Assembléia Geral, visa a preparar as negociações do ano que vem em Paris, onde deverá ser fechado um acordo internacional que entre em vigor em 2020.

Fonte: Terra